quinta-feira, 27 de outubro de 2011
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terça-feira, 25 de outubro de 2011
PARRINHA, INTÉ!!!
ALCIDES CARRILHO PARRA, nosso inestimável e bem querido amigo mudou de residência. Está noutra, como dizem os jovens.
A Riceles, minha vizinha, avisou Marisa, minha mulher, de sua viagem e mudança. Diacho. Ainda ontem disse à Marisa que hoje pela manhã iria visitar o Parrinha que soube ter deixado o hospital recentemente. Ele foi mais rápido, de maneira que vamos fazer nosso bate-papo em forma de monólogo. A pergunta de sempre, -"Como vai"? já está respondida. Muito bem, de certeza. Quem estimou e amou as crianças como ele estimou, tem léguas e léguas de recompensa nos campos do Senhor. Parrita, ele mesmo nunca deixou de ser totalmente criança. E elas sempre estiveram à vontade com sua presença.
Teve duas profissões definidas, que aparentemente não guardavam a mínima ligação. Alfaiate e dono de bar. Ou muito me engano ou Parrinha aprendeu o ofício com seu tio o Barnabé Parra, famoso e muito solicitado oficial alfaiate que ensinou a profissão para muitos outros que se tornaram alfaiates como ele.
Conheci os dois lados profissionais do "Cide' como o chamava outro alfaiate o José Rossi, que fazia questão de dizer que a grafia correta de seu nome era "Jose de Rossi", e este era o nome de sua alfaiataria que ficava no prédio do antigo mercadão municipal, ostentando em sua placa o "De Rossi Alfaiate".
Claro que conheci Parrinha muito mais com o umbigo atrás do balcão,e com o meu próprio do outro lado, como assíduo freguês do BAR DO PARRA, na Vila São Joaquim, encostado à Capela de São Bom Jesus, padroeiro da Vila.
Gostava - e ainda gosto - de fotografar e por algumas vezes fotografei as presenças comuns no boteco. Bar que se preza tem de ter um quê de idenfiticação com o gênero boteco. É ali que o povo frequenta e onde muito se aprende. Até a dependência aos acenos fortíssimos do álcool, como também de exemplos de superação do vício.
Algumas pessoas se tornaram figurinhas carimbadas do Bar do Parra, como o Zé Rossi, Otávio, também alfaiate na Vila, o grande e estimado Fidel, em si mesmo uma figuraça, Niquinho, Toninho, Zé Gollo, Gonzaga, Dr. Carlos Cavicciolli, Ismair do Sesi, Pinguinha, Severino Gabriel, Luiz Tropardi, e tantos outros mais que era menos uma freguesia do que uma informal confraria que perdurou até que Parrinha foi cuidar da saúde, voltando a exercer a profissão primeira, de alfaiate.
Bom mesmo era nos dias de eleições. Havia a lei seca no dia e a venda de bebida alcoólica era proibida até o dia seguinte. Havia nos fundos do bar uma "tripa" de terrendo que ia até o fundo da construção, devidamente dotada de uma portinhola, como divisória do bar. Os frequentadores assíduos, na base do quieto, entravam um a um, disfarçando de forma mais a denunciar que esconder, a escapada para os fundos, onde os esperava,no dia negro da abstenção proibitória da lei, o Shangri-La, em forma de brahmas, biritas e das lisas, para regalo dos sedentos eleitores.
E havia também uma mini mercearia que tinha de tudo um pouco. As coisas mais inusitadas para um boteco, como tomadas de força, lâmpadas, agulha de coser, linhas, sabonetes, e um montão de pequenos produtos, de forma que numa emergência o Parrinha era o certeiro socorro dos momentos imprevistos.
Havia no ambiente a alegria ingênua e pura do convívio desinteressado entre os frequentadores. O bar do Parrinha era o exemplo acabado do dizer de Vinicius de Moraes, segundo o qual justificava sua predileção por bares, com a observação: "Você já viu alguma grande amizade surgida numa padaria?"
O trato com as crianças sempre foi o seu fraco, sua principal qualidade, jamais deixou que qualquer delas saisse do estabelecimento sem um pequeno agrado, mesmo fosse uma singela bala. A São Joaquim não é um bairro abastado, o que Parrinha sabia pelo seu coração. Uma criança satisfeita para ele era um compartilhamento prazeiroso, como se a bala fosse ele mesmo a recebê-la, e não dá-la.
Muitas crianças então, como minha filha caçula, cresceram guardando um querer bem sem fim ao Parra, o Parrinha, o Alcides, o "Cide", o Parrita, que tão só pela graça de poder antender aos apelos dos pequenos,está, com a a glória do Senhor, morando em "Santa Maria", Castelo de Passarinhos. Até quando.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
domingo, 16 de outubro de 2011
UM POUCO DE ONTEM
O poeta Affonso Romano de Santanna, em artigo de ontem no caderno "Sabático" do "Estadão"-15/10 - diz que somos uma espécie cultural em extinção. A dos letrados, entendidos como o público leitor. No fundo se trata de uma questão de aprendizagem, que já foi de cunho oral, evoluindo para o aprendizado escrito, e hoje passa pelo visual. Pode-se dizer que no aprendizado o oral, o escrito e visual se complementam.
Na fase em que descobrimos o pré-sal, para o autor, o verdadeiro pré-sal é a cultura e/ou a leitura. Se os animais, os peixes, as árvores, e até as bactérias leem constantemente o mundo antes de tomarem qualquer decisão, por que o ser humano insiste em andar às cegas no universo da comunicação, indaga no final.
Sem alfabetização decente não há leitura, sem leitura não há interpretação do que nos circunda, sem juízo crítico, não há cultura, sem esta não há cidadania, sem cidadania, os seres humanos o são pela metade, se tanto.
A cultura da mídia tem fortíssimo apelo visual, a soberania da imagem sobre a palavra, principalmente a escrita, que muitos já consideram obsoleta e datada.
Mas não há conhecimento sem uma cultura que o reflita, e um equipamento que o opere. Hoje a escrita ainda é o referencial para o desenvolvimento dos modelos matemáticos, literários, científicos, artísticos e culturais, inclusive os da própria cibernética.
O que atropela é a constatação de que a forma (o tatil e o visual) contam com uma mobilidade que a escrita, isoladamente, não fornece.
Com isso, os conteúdos vão se esfarelando no apelo do visual, do sonoro, do texto abreviado ao mínimo, não por estilo, mas por falta de conteúdo intrínseco, e o resultado é o que estamos observando: O supérfluo está amalgamando a sua "cultura" e o deus baal da ciranda financeira determina o destino dos povos.
Mas, "é preciso cantar, mais que nunca é preciso cantar e alegrar a cidade" como vaticinou o vate Vinícius de Moraes. Inté.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
DE COMO MANEZINHO LACAVA ESCRIVÃO RENOMADO SE TORNOU DESENHISTA FORENSE
O desembargador João Guzzo Filho, que tem sala com seu nome no Fórum de Penápolis e chegou a ocupar cargos de importância no Tribunal de Justiça de São Paulo, era Juiz de Direito da única Vara da Comarca.
Além de católico fervoroso, de sua boca dizem jamais ter saído qualquer palavra que pudesse ofender a decência, o decoro e a devida educação, pois que do exemplo seguer-se-iam as atitudes. Nunca se ouviu dele uma palavra ao menos chula, quanto mais alguma expressão do dito baixo calão.
Deu-se então que aconteceu uma audiência onde o réu era o que se possa chamar de capiau, a vítima uma mulher vizinha do meliante, e foi chamada uma das testemunhas da acusação, também vizinho dos demais envolvidos, todos moradores da zona rural.
Manezinho Lacava era o escrivão encarregado de datilografar as audiências.
Como advogado nomeado (gratuito) do acusado funcionava Dr. Felipe de Freitas, um dos poucos advogados que fizeram por merecer o título de doutor, sem defesa de tese de doutorado, pois tinha méritos suficientes para tanto.
Espirituoso, sempre estava, como se diz, ligado no lance.
Iniciados os trabalhos, a testemunha, visivilmente atrapalhada com o ambiente, para ela semelhante ao mais inóspito território, foi orientada para sentar-se na frente de Manezinho Lacava, que tinha por anteparo uma mesa com sua máquina de escrever Remington Rand (EUA).
O juiz Dr. Guzzo Filho, fez as perguntas para identificar a testemunha, sabendo-se, então, que era analfabeta, e não tinha a mínima idéia do que estava ali fazendo, muito menos para quem, ou para que.
Apesar das pessoas da sala se vestirem de um modo muito esquisito para a testemunha, a observação não tirou a tranquilidade do depoente.
Alertado que deveria falar a verdade, a testemunha concordou com um sim de cabeça.
O juiz Guzzo Filho, cerimonioso em seu desempenho, exigência mínima do exercício do cargo, perguntou à testemunha se conhecia ela o réu e a vítima, com resposta de concordância a ambas perguntas.
Perguntado sobre o acontecido, a testemunha iniciou dizendo que tudo começara com uma discussão entre o acusado e a vítima, por motivos que ele não entendeu direito.
Na época, todas as pessoas que participavam das audiências se dirigiam ao Juiz que, por sua vez, repetia as declarações para que, então, o escriturário as datilografassem.
Buscando saber como o caso findou por uma agressão física que vitimara a mulher, o Juiz perguntou:
- O Senhor viu como os fatos se iniciaram?
- Ele falô prá ela um desaforo quarqué e ela mandou ele tomar no cu.
Impassível, Guzzo Filho, voltando-se para Manezinho Lacava, disse:
-A testemunha afirma que o acusado destratou verbalmente a vitima que, em revide mandou o réu..."Manezinho... escreva..."
E depois, o que mais aconteceu?
-O home ai, então chamou ela de biscate.
- O réu, então, chamou a vítima de..".Manezinho escreva..."
Mantendo sua fleuma britânica, Guzo Filho, buscando chegar logo à essência dos fatos, perguntou:
- Como então aconteceu a agressão a esta senhora que está sentada à mesa?
- Bão! Nhá Bastiana num gosto nada do xingamento, e disse que ele era um chifrudo froxo e filho da puta...ai...então...OHOHOH...ELE...
Fechando o punho esquerdo, com a mão direita espalmada, lançou-a por sobre a esquerda, naquele indefectível gesto que significa fudeu geral, e concluiu:
- ...A CARA DELA!!!!!!!
Dr. Felipe imediatamente interveio dizendo alto e bom tom:
" - MANEZINHO...DESENHE!!!!!!!!!!!"
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
SOBRE A PRECARIEDADE DA MEMÓRIA
Dizer que nossa memória falha trata-se da repetição mais inútil, pois que todo mundo está farto da saber, o que será um truismo, não fosse pela empreitada (vivemos a época das grandes empreiteras com seu modo peculiar de atuação, que todos sabem como é, cujo alicerce está na cooptação de políticos para seus interesses particulares, sendo o termo desonestidade um eufemismo brando do exato termo que merecem) que vamos iniciar contando fatos que se deram na religiosa Santa Cruz do Avanhandava, nascida sob o manto da Ordem de São Francisco, no início do século vinte, vindo a se chamar Penápolis, uma homenagem puxasaquista dos politicos locais de então, ao Presidente Afonso Pena (coloco à parte este "f" porque estou com preguiça de ver a grafia supostamente correta que consta da Wikipedia, do nome do homenageado presidente), que ninguém mais sabe aqui o que o tal fez ou deixou de fazer, de bom ou de mal.
O que vai bombar ou traquear são fatos que, embora o testemunho presencial dos que assistiram garante ser fruto da mais vera verdade, tomaram alguns deles características do imaginário popular, lendárias mesmo, muitos deles.
Há muita história, engraçadas umas, tristes outras, cabeludas outroutras, em que seus artífices aqui serão abordados de forma bem simples, mas todas com a grandeza e coragem de seus autores. Ou ópera, ou câmara, ou "lied", ou samba, ou bossa-nova, ou samba-canção, ou moda-de-viola, ou música raiz: o importante é que sejam os persongens cantados, senão em verso, apropriadamente em prosa.
Nossos valorosos personagem, desde onde minha memória encontra referencial, deambularam em nossa aldeia, desde os anos quarenta do século vinte, e muitos ainda estão em plena atividade nos mais variadas atividades.
Uma pequena amostra do elenco das "dramatiis personae" : Camila Tomachinska, Izaura e Mauricia de Almeida Soliani, Dr. Bráulio Sammarco, Dr. Enio Soliani, Dr. Felipe de Freitas, Manoel Lacava, Otavinho Lacava, Amélia Lacava, Tio Clóvis Lacava, Nicola Lacava, o patriarca do clã, Elpídio Moreira, Raul Beretta, Américo e Fulgêncio Avian, Silvio Macedo, Lamberto Mosca, Francisco Correa, Orlando Gomes, Maria do Carmo Pereira Yong, Anésia Vince Ferreira, Toninho Braga, e, mais próximos, Zé Maurício e Amadeu Soliani, Osvaldinho Viana, Chiquinho do Sol - Francisco Freitas Franco Filho, Ivan Sammarco, João Carlos Vilas-Bôas, o Locão,
Radyr Perninha, Sete, Miguel do Violão, Sonho, Willian Geraissate, Izidoro Calazans Mello, o Cacá, Miro das candongas, Sete, Cilô Lacava, Marinez Beneduzzi, Verinha Cobra, Verinha Zancul, Suzana Soliani, Suzana Viana, Lala Veronese, Cilô Padial, Quincas e Paco Padial, mais a Conchetina e o Ivan Pirata, e muuuiiiittttoooo mais. Inté.
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