Corriam os anos setenta. Pela manhã Dr. Bráulio Sammarco atende uma ligação. Era a Dra. Alice Polegato Castelan, a Dra. Alice, a quem os mais chegados chamavam de Dra. Lili.
Dr.Bráulio era o eterno professor das novas gerações de advogados, assim como o foi Dr. Enio Soliani. Bastava estar-se em apuros para que uma consulta ao Dr. Sammarcorum - assim Dr. Enio o chamava - rapidamente afugentasse o fantasma ameaçador do gigante jurídico em que o consulente se debatia.
Essa era a situação que afligia Dra Alice quando Dr. Bráulio tirou o fone do gancho.
- Dr. Brráulio? - Sim, ele mesmo. - É a Alice Polegato. Ah! Pois não, Doutora.
- É que estou fazendo um inventário cheio de herdeiros, uma coisa complicada que tá me deixando atrapalhada e ainda por cima apareceu um problemão que já procurei sair dele em todos os meus livros e não encontro a solução.
- Dra. Alice, depois de declarar todos os bens que o falecido, ou falecida, deixou em vida, se casado for, com esposa viva, a metade dos bens irá para a viúva; a outra metade será dividida pelo número de herdeiros restantes. Em resumo, este é o procedimento comum nas ações de inventários.
- Dra. Alice acredito ser difícil que em algum livro sobre inventários e partilhas não tenha a resposta à questão que tanto a incomoda.
- É Dr. Brráulio! Mas não achei e se o senhor não souber me responder não sei o que farei com o inventário.
- Bem doutora Alice, qual é o "punctum pruris", perdão, o xis da questão tão complicada?
- Dr Brráulio, é o cônjuge, doutor. O diabo do cônjuge.
- Mas, doutora Alice, cônjuge só há dois nos inventários. O que se foi pelo falecimento e o que ficou. Não vejo complicação nem segredo que envolva esse particular.
- Se fosse simples assim eu não estaria buscando socorro com o senhor. Tem um cônjuge que está no Código de Processo Civil e que eu não achei em lugar nenhum outro, nenhum mesmo, nem prá remédio.
- Pelo que entendo, a questão está no cônjuge, já melhorou o terreno da dúvida. A propósito, a senhora tem fácil ai o Código de Processo Civil e o artigo onde se encontra esse misterioso cônjuge?
- Doutor, estou com ele na mão, ou melhor, na mesa.
- Um momento, deixe eu apanhar também o meu para acompanhá-la.
- Taí doutor, o artigo 988 e o maldito cônjuge.
- Uhum, deixe-me ver: artigo... cá está... doutora, o artigo é muito claro e descomplicado. Afinal doutora, o que há de tão terrificante neste artigo?
- O que doutor?! E o senhor ainda pergunta? O qué é essa coisa, o CÔNJUGE SUPERSTAR?????!!!!!!!
- Refeito do espanto, Doutor Bráulio calmamente respondeu: -Dra. Alice, não seria cônjuge SUPÉRSTITE que a senhora quis mencionar? - É! cônjuge SUPERSTAR, a mesma coisa não é?
- Não doutora. O cônjuge supérstite é o mesmo que o cônjuge sobrevivo, o que ficou vivo, a contrário do que faleceu. Leia o artigo com bastante vagar que a senhora terminará lendo supéstite no lugar de SUPERSTAR.
- Ah, doutor Brráulio, muito obrigado pela explicação. Já estava ficando doida com a questão. Mas, doutor, onde fica o SUPERSTAR?
- Ao que possa informar continua atualmente no lugar que mais tem destaque nas televisões e nos jornais, como o nome de uma peça teatral de contorno hippie muito famosa mundo afora que, justamente, se chama JESUS CRISTO SUPERSTAR, valendo lembrar que Jesus Cristo embora sendo na linguagem atual mais SUPERSTAR que nunca, jamais foi CÔNJUGE, e menos ainda, SUPÉRSTITE.
- Muito obrigado pela orientação Dr. Brráulio. Mas em vez de superstar ou super...supers..ti...te... não poderiam ter escrito no código cônjuge ainda vivo,ou que está vivo, que não morreu, de um jento que a gente não precisa arrancar os cabelos para saber o que está lendo?
POVO COMPLICADO ESSE DOS CÓDIGOS HEIM DOUTOUR BRÁAULIO?!!!!
- Dra. Alice, depois de declarar todos os bens que o falecido, ou falecida, deixou em vida, se casado for, com esposa viva, a metade dos bens irá para a viúva; a outra metade será dividida pelo número de herdeiros restantes. Em resumo, este é o procedimento comum nas ações de inventários.
- Dr. Brráulio, até aí é café pequeno. E já preparei a divisão dos bens conforme o senhor acaba de explicar. A questão é bem mais complicada e é complicada porque não tem em nenhum livro.
- É Dr. Brráulio! Mas não achei e se o senhor não souber me responder não sei o que farei com o inventário.
- Bem doutora Alice, qual é o "punctum pruris", perdão, o xis da questão tão complicada?
- Dr Brráulio, é o cônjuge, doutor. O diabo do cônjuge.
- Mas, doutora Alice, cônjuge só há dois nos inventários. O que se foi pelo falecimento e o que ficou. Não vejo complicação nem segredo que envolva esse particular.
- Se fosse simples assim eu não estaria buscando socorro com o senhor. Tem um cônjuge que está no Código de Processo Civil e que eu não achei em lugar nenhum outro, nenhum mesmo, nem prá remédio.
- Pelo que entendo, a questão está no cônjuge, já melhorou o terreno da dúvida. A propósito, a senhora tem fácil ai o Código de Processo Civil e o artigo onde se encontra esse misterioso cônjuge?
- Doutor, estou com ele na mão, ou melhor, na mesa.
- Um momento, deixe eu apanhar também o meu para acompanhá-la.
- Taí doutor, o artigo 988 e o maldito cônjuge.
- Uhum, deixe-me ver: artigo... cá está... doutora, o artigo é muito claro e descomplicado. Afinal doutora, o que há de tão terrificante neste artigo?
- O que doutor?! E o senhor ainda pergunta? O qué é essa coisa, o CÔNJUGE SUPERSTAR?????!!!!!!!
- Refeito do espanto, Doutor Bráulio calmamente respondeu: -Dra. Alice, não seria cônjuge SUPÉRSTITE que a senhora quis mencionar? - É! cônjuge SUPERSTAR, a mesma coisa não é?
- Não doutora. O cônjuge supérstite é o mesmo que o cônjuge sobrevivo, o que ficou vivo, a contrário do que faleceu. Leia o artigo com bastante vagar que a senhora terminará lendo supéstite no lugar de SUPERSTAR.
- Ah, doutor Brráulio, muito obrigado pela explicação. Já estava ficando doida com a questão. Mas, doutor, onde fica o SUPERSTAR?
- Ao que possa informar continua atualmente no lugar que mais tem destaque nas televisões e nos jornais, como o nome de uma peça teatral de contorno hippie muito famosa mundo afora que, justamente, se chama JESUS CRISTO SUPERSTAR, valendo lembrar que Jesus Cristo embora sendo na linguagem atual mais SUPERSTAR que nunca, jamais foi CÔNJUGE, e menos ainda, SUPÉRSTITE.
- Muito obrigado pela orientação Dr. Brráulio. Mas em vez de superstar ou super...supers..ti...te... não poderiam ter escrito no código cônjuge ainda vivo,ou que está vivo, que não morreu, de um jento que a gente não precisa arrancar os cabelos para saber o que está lendo?
POVO COMPLICADO ESSE DOS CÓDIGOS HEIM DOUTOUR BRÁAULIO?!!!!