ALCIDES CARRILHO PARRA, nosso inestimável e bem querido amigo mudou de residência. Está noutra, como dizem os jovens.
A Riceles, minha vizinha, avisou Marisa, minha mulher, de sua viagem e mudança. Diacho. Ainda ontem disse à Marisa que hoje pela manhã iria visitar o Parrinha que soube ter deixado o hospital recentemente. Ele foi mais rápido, de maneira que vamos fazer nosso bate-papo em forma de monólogo. A pergunta de sempre, -"Como vai"? já está respondida. Muito bem, de certeza. Quem estimou e amou as crianças como ele estimou, tem léguas e léguas de recompensa nos campos do Senhor. Parrita, ele mesmo nunca deixou de ser totalmente criança. E elas sempre estiveram à vontade com sua presença.
Teve duas profissões definidas, que aparentemente não guardavam a mínima ligação. Alfaiate e dono de bar. Ou muito me engano ou Parrinha aprendeu o ofício com seu tio o Barnabé Parra, famoso e muito solicitado oficial alfaiate que ensinou a profissão para muitos outros que se tornaram alfaiates como ele.
Conheci os dois lados profissionais do "Cide' como o chamava outro alfaiate o José Rossi, que fazia questão de dizer que a grafia correta de seu nome era "Jose de Rossi", e este era o nome de sua alfaiataria que ficava no prédio do antigo mercadão municipal, ostentando em sua placa o "De Rossi Alfaiate".
Claro que conheci Parrinha muito mais com o umbigo atrás do balcão,e com o meu próprio do outro lado, como assíduo freguês do BAR DO PARRA, na Vila São Joaquim, encostado à Capela de São Bom Jesus, padroeiro da Vila.
Gostava - e ainda gosto - de fotografar e por algumas vezes fotografei as presenças comuns no boteco. Bar que se preza tem de ter um quê de idenfiticação com o gênero boteco. É ali que o povo frequenta e onde muito se aprende. Até a dependência aos acenos fortíssimos do álcool, como também de exemplos de superação do vício.
Algumas pessoas se tornaram figurinhas carimbadas do Bar do Parra, como o Zé Rossi, Otávio, também alfaiate na Vila, o grande e estimado Fidel, em si mesmo uma figuraça, Niquinho, Toninho, Zé Gollo, Gonzaga, Dr. Carlos Cavicciolli, Ismair do Sesi, Pinguinha, Severino Gabriel, Luiz Tropardi, e tantos outros mais que era menos uma freguesia do que uma informal confraria que perdurou até que Parrinha foi cuidar da saúde, voltando a exercer a profissão primeira, de alfaiate.
Bom mesmo era nos dias de eleições. Havia a lei seca no dia e a venda de bebida alcoólica era proibida até o dia seguinte. Havia nos fundos do bar uma "tripa" de terrendo que ia até o fundo da construção, devidamente dotada de uma portinhola, como divisória do bar. Os frequentadores assíduos, na base do quieto, entravam um a um, disfarçando de forma mais a denunciar que esconder, a escapada para os fundos, onde os esperava,no dia negro da abstenção proibitória da lei, o Shangri-La, em forma de brahmas, biritas e das lisas, para regalo dos sedentos eleitores.
E havia também uma mini mercearia que tinha de tudo um pouco. As coisas mais inusitadas para um boteco, como tomadas de força, lâmpadas, agulha de coser, linhas, sabonetes, e um montão de pequenos produtos, de forma que numa emergência o Parrinha era o certeiro socorro dos momentos imprevistos.
Havia no ambiente a alegria ingênua e pura do convívio desinteressado entre os frequentadores. O bar do Parrinha era o exemplo acabado do dizer de Vinicius de Moraes, segundo o qual justificava sua predileção por bares, com a observação: "Você já viu alguma grande amizade surgida numa padaria?"
O trato com as crianças sempre foi o seu fraco, sua principal qualidade, jamais deixou que qualquer delas saisse do estabelecimento sem um pequeno agrado, mesmo fosse uma singela bala. A São Joaquim não é um bairro abastado, o que Parrinha sabia pelo seu coração. Uma criança satisfeita para ele era um compartilhamento prazeiroso, como se a bala fosse ele mesmo a recebê-la, e não dá-la.
Muitas crianças então, como minha filha caçula, cresceram guardando um querer bem sem fim ao Parra, o Parrinha, o Alcides, o "Cide", o Parrita, que tão só pela graça de poder antender aos apelos dos pequenos,está, com a a glória do Senhor, morando em "Santa Maria", Castelo de Passarinhos. Até quando.
Joel, meu querido! Que texto delicioso! Beijos! Nenê Soliani
ResponderExcluirParabéns muito bacana!
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Sorte e Sucesso !
Forte Abraço
Anônimo.
Seu verdadeiro dom é a pena, te fizeste doutor...obra do acaso
ResponderExcluir"Qual é o meu ideal senão fazer do céu poderoso a Língua
Da nuvem a Palavra imortal cheia de segredo
E do fundo do inferno delirantemente proclamá-los
Em Poesia que se derrame como sol ou como chuva?"
A vida vivida
Lala