terça-feira, 25 de outubro de 2011

PARRINHA, INTÉ!!!




                                                 
                                                           ALCIDES CARRILHO PARRA, nosso inestimável e bem querido amigo mudou de residência. Está noutra, como dizem os jovens. 
                                                            A Riceles, minha vizinha, avisou Marisa, minha mulher, de sua viagem e mudança. Diacho. Ainda ontem disse à Marisa que hoje pela manhã iria visitar o Parrinha que soube ter deixado o hospital recentemente. Ele foi mais rápido, de maneira que vamos fazer nosso bate-papo em forma de monólogo. A pergunta de sempre, -"Como vai"? já está respondida. Muito bem, de certeza. Quem estimou e amou as crianças como ele estimou, tem léguas e léguas de recompensa nos campos do Senhor. Parrita, ele mesmo nunca deixou de ser totalmente criança.  E elas sempre estiveram à vontade com sua presença.
                                                         Teve duas profissões definidas, que aparentemente não guardavam a mínima ligação. Alfaiate e dono de bar. Ou muito me engano ou Parrinha aprendeu o ofício com seu tio o Barnabé Parra, famoso e muito solicitado oficial alfaiate que ensinou a profissão para muitos outros que se tornaram alfaiates como ele. 
                                                         Conheci os dois lados profissionais do "Cide' como o chamava outro alfaiate o José Rossi, que fazia questão de dizer que a grafia correta de seu nome era "Jose de  Rossi", e este era o nome de sua alfaiataria que ficava no prédio do antigo mercadão municipal, ostentando em sua placa o "De Rossi Alfaiate".

                                                         Claro que  conheci Parrinha muito mais com o umbigo atrás do balcão,e com o meu próprio do outro lado, como assíduo freguês do BAR DO PARRA, na Vila São Joaquim, encostado à Capela de São Bom Jesus, padroeiro da Vila. 
                                                         Gostava - e ainda gosto - de fotografar e por algumas vezes fotografei as presenças comuns no boteco.  Bar que se preza tem de ter um quê de idenfiticação com o  gênero boteco. É ali que o povo frequenta e onde muito se aprende. Até a dependência aos acenos fortíssimos do álcool, como também de exemplos de superação do vício.
                                                          Algumas pessoas se tornaram figurinhas carimbadas do Bar do Parra, como o Zé Rossi,  Otávio, também alfaiate na Vila, o grande e estimado Fidel, em si mesmo uma figuraça, Niquinho, Toninho,  Zé Gollo,  Gonzaga,  Dr. Carlos Cavicciolli,  Ismair do Sesi,  Pinguinha, Severino Gabriel, Luiz Tropardi,  e tantos outros mais que era menos uma freguesia do que uma informal confraria que perdurou até que Parrinha  foi cuidar da saúde, voltando a exercer a profissão primeira, de alfaiate.
                                                       Bom mesmo era nos dias de eleições. Havia a lei seca no dia e a venda de bebida alcoólica era proibida até o dia seguinte. Havia nos fundos do bar uma "tripa" de terrendo que ia até o fundo da construção, devidamente dotada de uma portinhola, como divisória do bar. Os frequentadores assíduos, na base do quieto, entravam um a um, disfarçando de forma mais a denunciar que esconder, a escapada para os fundos, onde os esperava,no dia negro da abstenção proibitória da lei, o Shangri-La,  em forma de brahmas, biritas e das lisas, para regalo dos sedentos eleitores.
                                                     E havia também uma mini mercearia que tinha de tudo um pouco. As coisas mais inusitadas para um boteco, como tomadas de força, lâmpadas,  agulha de coser, linhas, sabonetes, e um montão de pequenos produtos, de forma que numa emergência o Parrinha era o certeiro socorro dos momentos imprevistos. 
                                                     Havia no ambiente a alegria ingênua e pura do convívio desinteressado entre os frequentadores. O bar do Parrinha era o exemplo acabado do dizer de Vinicius de Moraes, segundo o qual justificava sua predileção por bares, com a observação: "Você já viu alguma grande amizade surgida numa padaria?"
   
                                                      O trato com as crianças sempre foi o seu fraco, sua principal qualidade, jamais deixou que qualquer delas saisse do estabelecimento sem um pequeno agrado, mesmo fosse uma singela bala. A São Joaquim não é um bairro abastado, o que Parrinha sabia pelo seu coração. Uma criança satisfeita para ele era um compartilhamento prazeiroso, como se a bala fosse ele mesmo a recebê-la, e não dá-la. 
                                                     Muitas crianças então, como minha filha caçula, cresceram guardando um querer bem sem fim ao Parra, o Parrinha, o Alcides, o "Cide", o Parrita, que tão só pela graça de poder antender aos apelos dos pequenos,está, com a a glória do Senhor, morando  em "Santa Maria", Castelo de Passarinhos. Até quando.

3 comentários:

  1. Joel, meu querido! Que texto delicioso! Beijos! Nenê Soliani

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  2. Parabéns muito bacana!
    procure publicar seus blog no google por esta página aqui:

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    Preencha conforme está lá
    Sorte e Sucesso !
    Forte Abraço
    Anônimo.

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  3. Seu verdadeiro dom é a pena, te fizeste doutor...obra do acaso

    "Qual é o meu ideal senão fazer do céu poderoso a Língua
    Da nuvem a Palavra imortal cheia de segredo
    E do fundo do inferno delirantemente proclamá-los
    Em Poesia que se derrame como sol ou como chuva?"
    A vida vivida

    Lala

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