Quarteto. Integrado por um jurisconsulto, dois bacharéis "al primo canto" e um mestre-escola. Com religiosos encontros na residência do doutor jurisperito, para ver filmes de faroeste pela TV, no durante passar um café, fumar uns cigarrinhos (dos que só dão câncer), falar todo o tipo de asneira, defender com unhas, dentes, responsos, chifre queimado, velas de sete dias, chamamentos aos orixás, pólvora queimada, seja qual fosse o o auxílio, se se tratasse do Corinthians.
Para conformar a estrutura do quarteto, enquanto torcida (des)organizada, se fosse um de música, teria flautim, pandeiro, reco-reco e tuba. Pois o dono e diretor do Theatro da Ópera (Dr. Enio), depois ou antes dela amava, no âmago, uma banda de retreta, ou charanga, ou furiosa. De preferência desafinada, acometida de arritmias crônicas, desorganização nos naipes, atrapalhos na leitura das partituras, tudo sob a batuta de dedicado e heróico maestro, que conseguia fazer a música sair parecida o mais que podia conseguir, com o escrito no papel, dando finalmente o inconfundível som da "Furiosa", a delícia da criançada de então.
Essa seria a identidade do "quator" quase corinthiano. Quase, pela presença de um sãopaulino a manchar a pureza alvinegra do conjunto.
Conduzindo o quarteto, Enio Soliani. "Aquele" advogado, que, com Bráulio Sammarco e Felipe de Freitas, compunham a trindade sagrada dos advogados penapolenses.
Dois bacharéis. João Carlos Vilas Bôas - o Locão, e Joel Pereira Gomes.
Completando o conjunto, o Mestre-Escola Paulo Roberto Tozeto, o Paulinho Tozeto.
Dr Enio era dono de uma característica especialíssima: era um gozador de difícil equiparação com outros gozadores. É que a seriedade compunha o perfil último da persona. Conseguia dizer despautérios inimagináveis, totais desatinos, fatos inverossímeis como a existência do abominável homem das neves, com um semblante compungido, seco, frio, sem transparecer de forma alguma o que lhe ia na alma. Nessas horas, seu rosto lembrava um ator famoso do cinema mudo Buster Keaton, dos grandes da comédia, que jamais foi visto emitindo sequer um sinal de sorriso, sendo essa sua marca registrada.
A aura de seriedade que imprimia às suas falas deixava o interlocutor órfão de pai e mãe, perdido, confuso, sem iniciativa alguma, sem saber se desacreditava do absurdo da fala, ou se submetia à feição impessoal, indecifrável, ignota, impermeável e impenetrável, que com auxílio dos olhos comandava. E até perceber, e quando percebia, que tudo não passava de uma corriqueira traquinagem, a "vítima" era tomada de apalermada inércia, no mínimo concluíndo que, até mesmo de miolo mole, o que Dr. Enio dizia, sem dúvida, fosse o que fosse, era sério. E pronto.
E mesmo o trio acima, que convivíamos com Dr. Enio, vez por outra, um de nós caíamos nas suas armações.
Os quatro em noite onde se via um filme de bang-bang italiano, como de costume, estavam sentados lado a lado, como se fosse numa carreira de poltronas. A diferença é que Dr. Enio ocupava uma "cadeira do papai" e os três mosqueteiros essas cadeiras de espreguiçar que ocupam áreas de fundo e varandas.
Dr. Enio tinha um olfato de perfumista, nada escapando de suas apuradas narinas.
Em dado momento Dr. Enio virou-se para o seu lado direito, onde estava o Locão, e com a voz pausada e grave indagou:
- Dr. João Vilas Bôas! Dr. Doudão, "estás com medo"?
Imputar ao Locão a remota hipótese dele temer qualquer coisa era o mesmo que acender um rastilho de pólvora num paiol de munição. Muito apropriado ao seu temperamento íbero-baiano.
- Qual é agora Doutor? Medo, medo do que, assim do nada, neste lugar, nesta calmaria de novena de igreja, que medo, por que, prá que, e de que eu deveria ou devo ter medo?
-Dr Vilas Bôas; vou repetir: Estas com medo?
- Mas que merda doutor; a gente tá aqui, quatro marmanjos, numa hora em que, como diz minha mãe Dna. Floripes, "no se mueve un elemento", nem um cachorro late, nem um gato mia, por que eu, logo eu, tenho de estar com medo? Desencana doutor. Tem o Paulinho e o Joel pro senhor alugar. E o senhor vem logo pra cima de mim? Olha, eu não tenho medo de porra nenhuma, nem deste mundo, nem do outro, nem de valentão, nem de milico, nem de bruxa, nem de autoridade, nem da puta que o pariu.
- Dr. Doudão: estas com medo?
- Mas não é o fiofó da cobra? Me responda Doutor, por que é que o senhor doutor sabe-tudo quer saber se estou com medo?
- É porque cheiras Doudão. E não é a âmbar.
- Não cheiro o quê?
- Doudão, minhas narinas são sensíveis e seletivas e à minha direita, voltada a estimbordo, portanto, da direção próxima e imediata onde pousas as nádegas , ascendem emanações que, se não evitáveis, devem ser produzidas em local recôndito, e próprio para os alívios intestinos, ou, em português que podemos todos repartir: na privada, que também responde pelo apelido de latrina.
- Então, doutor, toda essa prosopopéia só por causa de um peidinho de nada. Essa não. Mas já que tocou no assunto, vou até o banheiro, como o senhor diz, lançar dejetos e verter águas.
No que recebeu o arremate do Dr Enio:
- Dr. Locão: o Senhor irá apenas concluir o que, sem compostura, e flatulosamente, escondido em falso anonimato, sob nossos delicados narizes, deu inglório e gaseificante início.
Essa seria a identidade do "quator" quase corinthiano. Quase, pela presença de um sãopaulino a manchar a pureza alvinegra do conjunto.
Conduzindo o quarteto, Enio Soliani. "Aquele" advogado, que, com Bráulio Sammarco e Felipe de Freitas, compunham a trindade sagrada dos advogados penapolenses.
Dois bacharéis. João Carlos Vilas Bôas - o Locão, e Joel Pereira Gomes.
Completando o conjunto, o Mestre-Escola Paulo Roberto Tozeto, o Paulinho Tozeto.
Dr Enio era dono de uma característica especialíssima: era um gozador de difícil equiparação com outros gozadores. É que a seriedade compunha o perfil último da persona. Conseguia dizer despautérios inimagináveis, totais desatinos, fatos inverossímeis como a existência do abominável homem das neves, com um semblante compungido, seco, frio, sem transparecer de forma alguma o que lhe ia na alma. Nessas horas, seu rosto lembrava um ator famoso do cinema mudo Buster Keaton, dos grandes da comédia, que jamais foi visto emitindo sequer um sinal de sorriso, sendo essa sua marca registrada.
A aura de seriedade que imprimia às suas falas deixava o interlocutor órfão de pai e mãe, perdido, confuso, sem iniciativa alguma, sem saber se desacreditava do absurdo da fala, ou se submetia à feição impessoal, indecifrável, ignota, impermeável e impenetrável, que com auxílio dos olhos comandava. E até perceber, e quando percebia, que tudo não passava de uma corriqueira traquinagem, a "vítima" era tomada de apalermada inércia, no mínimo concluíndo que, até mesmo de miolo mole, o que Dr. Enio dizia, sem dúvida, fosse o que fosse, era sério. E pronto.
E mesmo o trio acima, que convivíamos com Dr. Enio, vez por outra, um de nós caíamos nas suas armações.
Os quatro em noite onde se via um filme de bang-bang italiano, como de costume, estavam sentados lado a lado, como se fosse numa carreira de poltronas. A diferença é que Dr. Enio ocupava uma "cadeira do papai" e os três mosqueteiros essas cadeiras de espreguiçar que ocupam áreas de fundo e varandas.
Dr. Enio tinha um olfato de perfumista, nada escapando de suas apuradas narinas.
Em dado momento Dr. Enio virou-se para o seu lado direito, onde estava o Locão, e com a voz pausada e grave indagou:
- Dr. João Vilas Bôas! Dr. Doudão, "estás com medo"?
Imputar ao Locão a remota hipótese dele temer qualquer coisa era o mesmo que acender um rastilho de pólvora num paiol de munição. Muito apropriado ao seu temperamento íbero-baiano.
- Qual é agora Doutor? Medo, medo do que, assim do nada, neste lugar, nesta calmaria de novena de igreja, que medo, por que, prá que, e de que eu deveria ou devo ter medo?
-Dr Vilas Bôas; vou repetir: Estas com medo?
- Mas que merda doutor; a gente tá aqui, quatro marmanjos, numa hora em que, como diz minha mãe Dna. Floripes, "no se mueve un elemento", nem um cachorro late, nem um gato mia, por que eu, logo eu, tenho de estar com medo? Desencana doutor. Tem o Paulinho e o Joel pro senhor alugar. E o senhor vem logo pra cima de mim? Olha, eu não tenho medo de porra nenhuma, nem deste mundo, nem do outro, nem de valentão, nem de milico, nem de bruxa, nem de autoridade, nem da puta que o pariu.
- Dr. Doudão: estas com medo?
- Mas não é o fiofó da cobra? Me responda Doutor, por que é que o senhor doutor sabe-tudo quer saber se estou com medo?
- É porque cheiras Doudão. E não é a âmbar.
- Não cheiro o quê?
- Doudão, minhas narinas são sensíveis e seletivas e à minha direita, voltada a estimbordo, portanto, da direção próxima e imediata onde pousas as nádegas , ascendem emanações que, se não evitáveis, devem ser produzidas em local recôndito, e próprio para os alívios intestinos, ou, em português que podemos todos repartir: na privada, que também responde pelo apelido de latrina.
- Então, doutor, toda essa prosopopéia só por causa de um peidinho de nada. Essa não. Mas já que tocou no assunto, vou até o banheiro, como o senhor diz, lançar dejetos e verter águas.
No que recebeu o arremate do Dr Enio:
- Dr. Locão: o Senhor irá apenas concluir o que, sem compostura, e flatulosamente, escondido em falso anonimato, sob nossos delicados narizes, deu inglório e gaseificante início.