domingo, 23 de março de 2014

JOÃO CARLOS VILAS BÔAS, O LOCÃO, E O OLFATO BERGERAC DO DR ENIO SOLIANI





                   


                          Quarteto. Integrado por um jurisconsulto,    dois bacharéis "al primo canto" e um     mestre-escola. Com religiosos encontros na residência do doutor jurisperito, para ver filmes de faroeste pela TV, no durante passar um café, fumar uns cigarrinhos (dos que só dão câncer), falar todo o tipo de asneira, defender com unhas, dentes, responsos, chifre queimado, velas de sete dias, chamamentos aos orixás, pólvora queimada, seja qual fosse o o auxílio, se se tratasse do Corinthians.
                         Para conformar a estrutura do quarteto, enquanto torcida (des)organizada, se fosse um de música, teria  flautim, pandeiro,  reco-reco e  tuba. Pois o dono e diretor do Theatro da Ópera (Dr. Enio), depois ou antes dela amava, no âmago, uma banda de retreta, ou charanga, ou furiosa. De preferência desafinada, acometida de arritmias crônicas,  desorganização nos naipes, atrapalhos na leitura das partituras, tudo sob a batuta de dedicado e heróico maestro, que conseguia fazer a música sair parecida o mais que podia conseguir, com o escrito no papel, dando finalmente o inconfundível som da "Furiosa", a delícia da criançada de então. 
                                        Essa seria a identidade do "quator" quase corinthiano. Quase, pela presença de um sãopaulino a manchar a pureza alvinegra  do conjunto.
                                                 Conduzindo o quarteto, Enio Soliani. "Aquele" advogado, que, com Bráulio Sammarco e Felipe de Freitas, compunham a trindade sagrada dos advogados penapolenses. 
                                                         Dois bacharéis. João Carlos Vilas Bôas - o Locão, e Joel Pereira Gomes.
                                                        Completando o conjunto, o Mestre-Escola Paulo Roberto Tozeto, o Paulinho Tozeto.
                                                       Dr Enio era dono de uma característica especialíssima: era um gozador de difícil equiparação com outros gozadores. É que a seriedade compunha o perfil último da persona. Conseguia dizer despautérios inimagináveis,  totais desatinos, fatos inverossímeis como a existência do abominável homem das neves, com um semblante  compungido, seco, frio, sem transparecer de forma alguma o que lhe ia na alma. Nessas horas, seu rosto lembrava um ator famoso do cinema mudo Buster Keaton, dos grandes da comédia, que jamais foi visto emitindo sequer um sinal de sorriso, sendo essa sua marca registrada. 
                                            A aura de seriedade que imprimia às suas falas deixava o interlocutor órfão de pai e mãe, perdido, confuso, sem iniciativa alguma, sem saber se desacreditava do absurdo da fala, ou se submetia à feição impessoal, indecifrável, ignota, impermeável e impenetrável, que com auxílio dos olhos comandava. E até perceber, e quando percebia, que tudo não passava de uma corriqueira traquinagem, a "vítima" era tomada de apalermada inércia, no mínimo concluíndo que, até mesmo de miolo mole, o que Dr. Enio dizia, sem dúvida, fosse o que fosse, era sério. E pronto.
                                            E mesmo o trio acima, que convivíamos com Dr. Enio, vez por outra, um de nós caíamos nas suas armações.
                                              Os quatro em noite onde se via um filme de bang-bang italiano, como de costume, estavam sentados lado a lado, como se fosse numa carreira de poltronas. A diferença é que Dr. Enio ocupava uma "cadeira do papai" e os três mosqueteiros essas cadeiras de espreguiçar que ocupam áreas de fundo e varandas.
                                                 Dr. Enio tinha um olfato de perfumista, nada escapando de suas apuradas narinas.
                                               Em dado momento Dr. Enio virou-se para o seu lado direito, onde estava o Locão, e com a voz pausada e grave indagou:
                                                         - Dr. João Vilas Bôas! Dr. Doudão, "estás com medo"?
                                                          Imputar ao Locão a remota hipótese dele temer qualquer coisa era o mesmo que acender um rastilho de pólvora num paiol de munição. Muito apropriado ao seu temperamento íbero-baiano. 
                                                    - Qual é agora Doutor? Medo, medo do que, assim do nada, neste lugar, nesta calmaria de novena de igreja, que medo, por que, prá que, e de que eu deveria ou devo ter medo?
                                                        -Dr Vilas Bôas; vou repetir: Estas com medo?
                                                        - Mas que merda doutor; a gente tá aqui, quatro marmanjos, numa hora em que, como diz minha mãe Dna. Floripes, "no se mueve un elemento", nem um cachorro late, nem um gato mia, por que  eu, logo eu, tenho de estar com medo? Desencana doutor. Tem o Paulinho e o Joel pro senhor alugar. E o senhor vem logo pra cima de mim? Olha, eu não tenho medo de porra nenhuma, nem deste  mundo, nem do outro, nem de valentão, nem de milico, nem de bruxa, nem de autoridade, nem da puta que o pariu.
                                                    - Dr. Doudão: estas com medo?
                                         - Mas não é o fiofó da cobra? Me responda Doutor, por que é que o senhor  doutor  sabe-tudo quer saber se estou  com medo?

                                          - É porque cheiras Doudão. E não é a âmbar.

                                                 - Não cheiro o quê? 

                                                 - Doudão, minhas narinas são sensíveis e seletivas e à minha  direita, voltada a estimbordo, portanto, da direção próxima e imediata onde pousas as nádegas  , ascendem emanações que,  se não evitáveis, devem ser produzidas em local recôndito, e próprio para os alívios intestinos, ou, em português que  podemos todos repartir: na privada, que também responde pelo apelido de latrina. 
                                                   -  Então, doutor, toda essa prosopopéia só por causa de um peidinho de nada. Essa não. Mas já que tocou no assunto, vou até o banheiro, como o senhor diz, lançar dejetos e verter águas. 
                                                            No que recebeu o arremate do Dr Enio:

                                                               - Dr. Locão: o Senhor irá apenas concluir o que, sem compostura, e flatulosamente, escondido em falso anonimato, sob nossos delicados narizes, deu inglório e gaseificante  início.


                                                    

                             










                                       
                        

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

DR BRÁULIO SAMMARCO E DRA ALICE POLEGATO, OU UM INVENTÁRIO ESTELAR






                      Corriam os anos setenta. Pela manhã Dr. Bráulio Sammarco atende uma ligação. Era a Dra. Alice Polegato Castelan, a Dra. Alice, a quem os mais chegados chamavam de Dra. Lili.
                                  Dr.Bráulio era o eterno professor das novas gerações de advogados, assim como o foi Dr. Enio Soliani. Bastava estar-se em apuros para que uma consulta ao Dr. Sammarcorum - assim Dr. Enio o chamava - rapidamente afugentasse o fantasma ameaçador do gigante jurídico em que o consulente se debatia.
                                  Essa era a situação que  afligia Dra Alice quando Dr. Bráulio tirou o fone do gancho.
                                - Dr. Brráulio? - Sim, ele mesmo. - É a Alice Polegato. Ah! Pois não, Doutora.
                                - É que estou fazendo um inventário cheio de herdeiros, uma coisa complicada que tá me deixando atrapalhada e ainda por cima apareceu um problemão que já procurei sair dele em todos os meus livros e não encontro a solução.
                                - Dra. Alice, depois de declarar todos os bens que o falecido, ou falecida, deixou em vida, se casado for, com esposa viva, a metade dos bens irá para a viúva; a outra metade será dividida pelo número de herdeiros restantes. Em resumo, este é o procedimento comum nas ações de inventários.
    - Dr. Brráulio, até aí é café pequeno. E já preparei a divisão dos bens conforme o senhor acaba de explicar. A questão é bem mais complicada e é complicada porque não tem em nenhum livro.
                              - Dra. Alice acredito ser difícil que em algum livro sobre inventários e partilhas não tenha a resposta à questão que tanto a incomoda.
                              - É Dr. Brráulio! Mas não achei e se o senhor não souber me responder não sei o que farei com o inventário.
                              - Bem doutora Alice, qual é o  "punctum pruris", perdão, o xis da questão tão complicada?
                             - Dr Brráulio, é o cônjuge, doutor. O diabo do cônjuge.
                            - Mas, doutora Alice, cônjuge só há dois nos inventários. O que se foi pelo falecimento e o que ficou. Não vejo complicação nem segredo que envolva esse particular.
                            - Se fosse simples assim eu não estaria buscando socorro com o senhor. Tem um cônjuge que está no Código de Processo Civil e que eu não achei em lugar nenhum outro, nenhum mesmo, nem prá remédio.
                            -  Pelo que entendo, a questão está no cônjuge, já melhorou o terreno da dúvida. A propósito, a senhora tem fácil ai o Código de Processo Civil e o artigo onde se encontra esse misterioso cônjuge?
                           - Doutor, estou com ele na mão, ou melhor, na mesa.


                          - Um momento, deixe eu apanhar também o meu para acompanhá-la.
                       
                         - Taí doutor, o artigo 988 e o maldito cônjuge.
                         - Uhum, deixe-me ver: artigo... cá está... doutora, o artigo é muito claro e descomplicado. Afinal doutora, o que há de tão terrificante neste artigo?


                        - O que doutor?! E o senhor ainda pergunta? O qué é essa coisa, o CÔNJUGE SUPERSTAR?????!!!!!!!


                         - Refeito do espanto, Doutor Bráulio calmamente respondeu: -Dra. Alice, não seria cônjuge SUPÉRSTITE que a senhora quis mencionar?  - É! cônjuge SUPERSTAR, a mesma coisa não é?
                         - Não doutora. O cônjuge supérstite  é o mesmo que o cônjuge sobrevivo, o que ficou vivo, a contrário do que faleceu. Leia o artigo com bastante vagar que a senhora terminará lendo supéstite  no lugar de SUPERSTAR.
                        - Ah, doutor Brráulio, muito obrigado pela explicação. Já estava ficando doida com a questão. Mas, doutor,  onde fica o SUPERSTAR?
                        - Ao que possa informar continua atualmente no lugar que mais tem destaque nas televisões e nos jornais, como o nome de uma peça teatral de contorno hippie muito famosa mundo afora que, justamente, se chama  JESUS CRISTO SUPERSTAR, valendo lembrar que Jesus Cristo embora sendo na linguagem atual mais SUPERSTAR que nunca, jamais foi CÔNJUGE, e menos ainda, SUPÉRSTITE.
                          - Muito obrigado pela orientação Dr. Brráulio. Mas em vez de superstar ou super...supers..ti...te... não poderiam ter escrito no código cônjuge ainda vivo,ou que está vivo, que não morreu, de um jento que a gente não precisa arrancar os cabelos para saber o que está lendo?
POVO COMPLICADO ESSE DOS CÓDIGOS HEIM DOUTOUR BRÁAULIO?!!!!

 









 
                          






 

      





            


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

ENIO SOLIANI E PAULINHO TOSETO OU A ETÉREA E DIÁFANA CEIA






       Dr. Enio Soliani criou um  quarteto composto de um jurisconsulto que o próprio, dois canditatos ao bacharelato em direito e um mestre-escola. João Carlos Vilas Bôas, o Locão, Joel Pereira Gomes, os acadêmicos da Instituição Toledo de Ensino, e Paulo Roberto Toseto, o Paulinho,  mestre-escola.
Paulinho Toseto materializava a constância certeira e infalível na área dos fundos. Toda santa noite lá estava para acompanhar Dr. Enio na programação de tv, e, claro, filar o cafezinho, a aguinha gelada , e vez em quando, uma comidinha preparada pela  cozinheira Nilce.
               Estando de manhã na redação do "Diário da Noroeste", do batalhador Irineu Sacocchi, onde eu fazia as vezes de redator, um belo dia atendo o telefone com um - alô?  Do outro lado ouvi: - Au!
                            - Quem ai por favor?
                            - Au! Au!
                            - Qual  a gracinha?
                           - Au! Au! Au!
                           - Olha, antes que eu me esqueça por que você não  vai tomar bem atrás do...seu...
                           - Calma. É o Enio. Desde manhã ando  muito estranho. Depois de levantado, barbeado, trocado, encontrei pronta a mesa com o café da manhã, que tomei  tranquilamente.  Quando pronto para sair, quase no portão , lembrei-me  do "até logo Nilce". Em vez do cumprimento saiu um Au!  Aí, ressabiado, desci ao escritório.
                              Passando pelo poste da força e luz  frente ao Carlos Stroppa, minha perna esquerda ergueu-se como que instintivamente. Com grande esforço, fiz voltar ao normal.  Caimbra não era. Descobri que de minha casa até o escritório, descendo em linha reta havia desafiadores sete postes enfileirados, ante os quais a perna sinistra teimosamente se ergueu feito reflexo condicionado. 
                               Liguei  para dizer  desses estranhos prenúncios. Quando você  atendeu, em vez do meu alô, saiu Au! E foram se repetindo os aus-aus até que pude me livrar das incômodas onomatopéias caninas. Porém temo pelos possíveis indiscretos e vexatórios  levantamentos involuntários das pernas, ora esquerda, na descida, ora direita, na subida, frente a  cada poste. Em resumo, a situação, grávida e cúfica, coloca-me  na iminência de consultar, não sei se  ventríloquo, ou  veterinário. Retorno logo que obter um diagnóstico mais preciso.

                              Enio Soliani, não sei se pelo gosto que tinha pela ópera, pela literatura universal, pelo teatro onde atuou como diretor quando estudante, quando queria criava momentos, cenas, circunstâncias, entreatos, com verossimilhança tal, que passavam por instantes graves, sérios, circunspectos, quando, em verdade, estava em curso uma deliciosa gozação a explodir no final. E a galera sempre levava a sério. O que para nós que mais o conhecíamos era puro deleite. 

                                  Chegando à noite no Dr. Enio, o  encontrei e a Paulinho começando uma conversa logo que me acomodei:
                                   - Paulinho, você passou bem o dia?
                                   - Passei doutor. Normal.
                             - Você não sentiu nenhuma vontade esquisita, estranha, inexplicável?
                                  - Eu... esquisita,  estranha.  Eehh!  doutor, qual é a sua? Não senti nem esquisita, nem estranha, nem vontade nenhuma. Eu heim?!
                                  - Não é o que está pensando senhor Pablo Dominguim. Não estou me referindo a comichões. É ... como eu diria... certa propensão...digamos... canina.
                                  - Doutor nem "comiçhãens" nem cães. O dia foi sossegado. Se mal pergunto, qual a  curiosidade do doutor?
                                  - Uma averiguação que venho promovendo sobre algumas atitudes muito relacionadas  ao mundo canino. E acabarei encontrando os dados que iluminarão o objeto da dita e   perquirida. 
                                    - Pô doutor. O senhor tá misterioso e gastante hoje heim? Perquirida... Perquirida.. não rima com persiguida?
 
  - Dominguim, perseguidas ou perquiridas, dizem os doutos,  algumas delas, ou mordem, ou assopram, ou cortam, e até quebram côcos. Mas esta é indagação menor, mais afeita a digressões em respeito aos Países Baixos, sem relação com minha atual averiguação. E sei que até amanhã  resolverei este enigma sherloquiano. Ou não me chamo  Enio Soliani.
                                 Noite seguinte Dr. Enio aguardou minha chegada e foi logo  interpelando Paulinho.
                                 - Pablo Dominguim: Sei que você não rejeita  uma farta comilança. Isto é certo?
                                 - Tão certo como é bom comer bem e, claro,  além de bem, bastante.
                              - Você Dominguim tem alguma preferência por pratos regionais, cozinha nacional ou internacional?
                                  - Doutor não sou lá muito exigente não. Um pernil assado no ponto, um filé à parmegiana ou à california feito pelo  Dito do  Bar Tabu. Uma feijoada cheia de tranqueira.Uma dobradinha completa. Taí umas comidas feitas prá  delicia das nossas vontades e lombrigas. Assim, assim né doutor ?!
                                 - Paulinho, você aprecia arroz carreteiro?
                              - Claro doutor,  Foi o que nós dois jantamos outro dia de noite. 
                                 - Anteontem.  E não bem um jantar. Foi quase uma ceia. Não foi senhor Dominguim?
                                 - Janta ou ceia qual a diferença?
                              - O primeiro, amigo Dominguim, geralmente é posto quando completo o anoitecer fazendo soberana a noite. A ceia é realizada quase sempre à desoras, quando o adiantado da hora instiga nossos vazios estomagos,  conduzindo, no mais das vezes, a excessos de ordem alimentar. Anteontem o senhor Pablo Dominguim fez o favor de manifestar seu estado famélico já bem passada a hora do jantar.
                               - E o senhor disse que também estava com fome e nós dois fomos na cozinha ver se tinha alguma coisa feita pela  Nilce. 
                               - E o senhor Dominguim foi inspecionar as panelas.
                              - E lá encontrei uma panelona quase cheia de arroz carreteiro, ainda morninha, chamando para ser papada. 
                              - E o senhor Paulinho me fez abrir uma Coca-Cola de dois litros para acompanhar o regabofe.
                              - E nós comemos, bebemos e arrepetimos duas vezes o arroz carreteiro da Nilce. Depois o doutor passou um café que tomamos e fomos dormir de pandulho cheio. Só faltou o licor para coroar né doutor?
                              - Sim, Senhor Paulo Toseto. Paulinho Toseto. Pablo Dominguim. Graças à sua desenfreada gula, nós dois comemos um mui diferenciado arroz carreteiro, o único de nossas vidas. E repetimos. 
                              - E tomamos quase a coca-cola inteira.Que tem de mais nisso?
                             - Há que,  Pablo Dominguim Pantagruel, a Nilce pela manhã me perguntou sobre o paradeiro da panela. Respondi que, orientado por  Dom Dominguim, haviamos esquentado e jantado o arroz carreteiro que ela havia preparado, e que o restinho que sobrara estava na panela em baixo da pia de lavar louça. E aí fiquei sabendo até onde sua desenfreada gula me levou, bem como a causa de meus desconexos impulsos de falas e andares de ontem.

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                              - Doutor Enio...arroz carreteiro... arroz carreteiro ...
                              - Nilce, eu senti que o arroz estava um pouco papinha. Um pouco molenga Deve ser a receita. Até o   tempero estava um pouco diferente.
                                - Doutor a panela que eu cozinhei não tinha arroz...carreteiro.
                                      - E o que, então, havia nela?
                                 - Doutor, o de sempre: arroz refogado, tempero, e uma lata de ração prá cachorro. Igualzinha aquela ali em cima do armário da cozinha.


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                              - Assim sendo  Dom Pablo  de Dominguim, vamos ao nascedouro dos fatos conferir a essência da iguaria que sua desmedida glutoneria nos impingiu.
                               Na cozinha, com a lata de ração canina à destra mão, Dr. Enio, em tom solene, declinou: 

                            Ingredientes: Ração bovina e suina, bofes bovinos, suinos e caprinos, Complexo B, Vitamina D, Vitamina E,  EXTRATO ETÉREO Q.S.P.
                             - E agora tenho mui certa a origem de minha prosa au-au e de minhas involuntárias e inevitáveis erguidas de pernas ao passar  por cada poste fincado no caminho do escritório.

                            - Graças à vossa façanha, Dom Plabo de Dominguim - Mestre-Escola natural dos campos de Maria Chica - diplomado em artes arteiras, gustativas, explosivas e quejandos - devo clamar aos céus que   meu mais profundo sentir, meu valoroso andar, meu escandido falar,  presa se tornaram de diáfano, ignoto e indefinível extrato etéreo canino  quase sacrilegamente consumido, por obra e graça da vossa tão soberba quanto portentosa  gula.
                                  E tal sucesso se deu tão somente por que Pança sois, sem Sancho serdes. 



                                             * Dr. Enio Soliani era grande admirador de Cervantes, em particular do "Dom Quixote de la Mancha" e por mais de vez se inspirou, ora em D. Quixote, ora em Sancho Pança, para as suas brincadeiras. As falas, em alguns pontos dos diálogos Enio/Paulinho buscam, sem pretensão alguma, imitar o estilo do escritor espanhol que Dr. Enio, com maestria, dele se utilizava.  Sorte nossa.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

DR BRÁULIO SAMMARCO E TIÃO FIGUEIREDO OU A CÍNICA BAIXEZA NO TRIBUNAL





                                Grande parte dos julgamentos nos chamados processos-crime é feita com a presença do juiz, do promotor de justiça, do advogado de defesa do réu e do escrevente judicial, que hoje digita as atas de cada uma dessas audiências.
                       Nos tempos do acontecido, as sessões de julgamento eram datilogradas em máquinas de escrever, equipamento que o computador inapelavelmente aposentou.
                      Na audiência, presentes o Juiz de Direito, o Promotor de Justiça, como advogado de defesa o Dr. Bráulio Sammarco, e como escrevente o veloz Sebastião Figueiredo, o querido e respeitado  Tião Figueiredo.
                    Aberta a audiência, depois de ouvidas duas testemunhas a favor do réu, passou-se a sessão para os debates , quando pela ordem,  a promotoria oralmente fazia suas alegações finais, sendo seguida pela defesa do acusado, findando com a sentença ditada pelo juiz.
                   Dr. Bráulio Sammarco, apesar de sua prodigiosa memória, tinha por hábito rascunhar tudo que fosse afeito ao seu trabalho. Um simples memorando, uma pequena carta que fosse, eram antecedidos de um rascunho, depois reproduzido na máquina de escrever, ou mesmo à mão.
                   Então, quando ia para as audiências com debates orais, levava datilografadas suas alegações e, dada a palavra para a defesa, Dr. Bráulio ditava para o escrevente o seu arrazoado, que seria posteriormente lido pelo Juiz, antes de sentenciar.
                  Chegada sua vez, Dr. Bráulio aproximou-se da mesa de  Tião Figueiredo e passou a ditar a sua fala, transcrita para o papel com habilidade  pelo esperto escrivão.
                   Na época o uso do latim forense era corriqueiro e Bráulio Sammarco, como o grande latinista que foi, dele fazia uso não por uso diletante de erudição, senão como recurso a tornar precisa a real dimensão de seu raciocínio. 
                  Foi assim que se utilizou da expressão "conditio sine qua non" para precisar que o ato precipitado da vítima foi essencial para a atitude reflexa do réu.
                   Findo seu ditado, Dr. Bráulio se pôs ligeiramente atrás de Tião, tirou os óculos e se aproximou conferindo rapidamente a transcrição de suas razões. 
                   Súbito, fixou seus olhos em linha reta direcionando-os para o infinito, como que puxando pela memória, e volvendo-se para o Tião Figueiredo, com a educação e modos que sempre o destacaram como cavalheiro, disse com delizadeza:
                 - Tião quer me parecer que ouve um pequeno engano na sua datilografia, pois não precisei  o significado de uma pequenina fala no   texto datilografado.
                - Dr. Bráulio, eu escrevo rápido, mas estou certo de que o que o senhor ditou está  no papel, sem tirar, nem por.
                - Tião, neste parágrafo, mostrou com o dedo indicador, eu pedi para você abrir aspas, ditei uma observação, e solicitei que  fechasse as aspas.
                - E fiz direitinho do jeito que o senhor pediu. Abri e fechei as aspas, escrevendo no meio o que o senhor ditou. Acho que não faltou nada.
                 - Tião, quando eu solicitei que abrisse aspas, pedi que você datilografasse "condítio sine qua non"
                 - Doutor Bráulio, mas é isto  que está escrito.Veja se não:
 
                 - "Condício cínico anão".  

             


   

domingo, 11 de dezembro de 2011

SALIM DA BAMBINA E SONHO, OU NÃO HÁ MAL QUE NÃO TENHA SEU REMÉDIO




                             Fauze Eid era conhecidíssimo na Maria Chica. O mesmo com Juvenal Rodrigues de Brito. Um e outro, porém, sob seus nomes, poucos conheceram ou conhecem. Basta que se diga, no lugar, Salim da Bambina e Sonho do Bar do Sonho, para ambos se tornem conhecidíssimos. 
                   Em determinada manhã encontrei-me ao acaso com o Sonho no interior da então Caixa Econômica Estadual que hoje é o Banco do Brasil S/A.
                    Saíamos juntos quando, na calçada,  vindo de encontro para entrar, avistamos o Salim. O Salim da Bambina chamava todo o mundo de Salim. Assim jamais correu o risco de chamar alguém pelo nome trocado. 
                   Paramos os três na beira da calçada e Salim foi logo perguntando ao Sonho:
                   - Como vai Salim ?
                  - Bem! E você Salim? respondeu Sonho com outra pergunta. 
                  - Bem também Salim.
                  - Por falar em bem você está  sentindo melhor com o tratamento? perguntou Sonho. 
                  - Um pouco melhor Salim Sonho. Devagar vai indo.
                 Intriguei-me ligeiramente com a conversa. Embora não tivesse nenhuma intimidade com o Salim, conhecia bastante o Dr. Bráulio Sammarco que era seu cunhado e a D. Rosinha, irmã de Salim e esposa do Dr. Bráulio. Nenhum dos dois nunca comentaram nada sobre o estado de saúde de Salim. Nem mesmo o Ivan Sammarco que era sobrinho e bem chegado ao tio. 
                    A entonação cerimoniosa que um e outro emprestavam às suas falas certificavam a existência de algo reservadíssimo.
                 - O seu médico falou alguma coisa sobre o tempo de tratamento? Afinal de contas o seu problema já vem de bem lá trás.
                - Sabe Sonho, eu estar fazendo tudo que o médico manda, cuidando direitinha de mim; mas doutor disse que, quem sabe, com  tempo Salim melhora.
                 - Então Salim acha que  recuperação tem chance?
                - Assim, assim, bem devagar, sem pressa e com a muito cuidado para não piorar.
                Envolto pelo clima da conversa, pela seriedade do que confabulavam, não tive nem coragem, nem atrevimento, de entrar  no assunto. Me corroia, entretanto, uma indagação atroz: que "malade" enfrentava o Salim?
                 - Salim, prá ser sincero com você, da última vez que nós se encontramos, sua cara parecia um pouco melhor, mas deve ser o sol que tá batendo nela, que tá deixando assim. Em todo o caso, eu estimo as melhoras. E não deixe do tratamento, dos remédios e de visitar o médico quando sentir alguma recaída querendo te derrubar.
                 - Claro que sim Salim Sonho, Salim vai cuidar muito, muito mesmo. Se não sara, melhora, melhora sim, bastante. Obrigado pela consolo. Salim  agora eu vai entrar na Banco.Té logo.
                  - Té logo Salim. Desejo que o seu tratamento continue bem e que você tenha sucesso lá na frente. 
                  - Té logo Sonho.
                  - Té logo Salim.
                  Com Salim já na agência, surpreso pela descoberta  de ser o Salim da Bambina  portador de uma doença, pelo jeito crônica, persistente, de controle sujeito a medicação perene, no clima do papo recém acabado perguntei:
                 - Sonho, essa doença do Salim... o estado dele é realmente preocupante? Olha, eu nunca ouvi dizer que o Salim tivesse uma gripe. Sempre está bem quando  vejo ele na Bambina. Agora fico sabendo dessa história toda. Cá entre nós: a família sabe, a mulher, o filho, os parentes?
                - Salim é muito reservado sobre  saúde. A única pessoa que ele fala dela é pra mim e assim mesmo pela nossa velha amizade de lá da Braúna.
               - Mas tem algum jeito que possa ser dado? A curto ou longo prazo, sei lá,  alguma coisa prá contornar a situação?
               - Bem... jeito, jeito, acho difícil, mas pra tudo tem remédio e pro Salim, quem sabe se seguir certo o tratamento e não desistir, pode ser que, ao menos, melhore.
               - Sonho, sem ser bisblioteiro, mas pela preocupação que agora estou com o Salim, você poderia, se puder, dizer que mal tanto persegue  o Salim?
               - Você guarda o segredo?
              - Claro, homem, diga logo qual a doença.
              Sonho, após uma olhadela em volta, colocou seu braço sobre meu ombro, aproximou-se de meu ouvido, e confiou, sussurrando,  a doença persistente e contínua de Salim:
              - Feiura brava!!!!
           
                

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

TENENTE CARRIÇO OU A LEI COMO ELA É

                             
                                           Tenente Carriço, sim, o do Estádio Municipal que merecidamente leva o seu nome, andava às voltas com um problema. Não qualquer problema; era mais que um simples problema, quase, para ele, uma questão, ou até fosse o caso, uma demanda.
                           Depois de muito caramingolar chegou a uma decisão. Problema, questão ou demanda, teria de procurar um entendido.
                           Com tal propósito foi ter com o Dr. Filipe de Freitas. Expôs com calma e pormenorizadamente os fatos que, na sua avaliação, reclamavam uma atitude, ou atitudes, quem sabe não seria o caso de uma questão, ou, quem sabe, uma demanda, para que suas apreensões encontrassem uma resposta favorável. Este o termo exato. Objetivo. Fa-vo-rá-vel !
                           Dr. Felipe ficou por um bom tempo em total mudês. Pensando. Raciocinando. Ensimesmado. 
                            Levantou-se, foi à estante, desceu alguns livros, consultando atentamente cada um deles, até que fechou o último cartapácio (não é palavrão, garanto), balançando a cabeça de um lado para o outro, vagarosamente, a  formar sua convicção final sobre o caso. 
                           Então,  com toda a calma , discorreu:
                          - Tenente Carriço, temo dizer que, da maneira como colocou os fatos e a situação, não vejo uma alternativa jurídica que venha a lhe garantir um resultado fa vo rá vel.
                          - Dr Filipe, olhe todos os cantos, todos os lados, todos os jeitos, eu sei que tem uma saída pro dilema.
                          - Eu sinto muito Tenente, mas não tenho nem como lhe dizer que podemos arriscar um caminho da lei, que nos seja, como quer o senhor, favorável.
                         - Dr Filipe o advogado é o senhor, que muito respeito e estimo; o senhor é estudado nas leis e nas causas, e nos fóruns, mas vou insistir que tem um rumo sem erro para meu aperreamento. 
                         - Tenente Carriço. Com o mesmo respeito e estima que ao senhor devolvo, onde o Tenente esse rumo, e com base no que?
                         - Doutor Filipe: o senhor é muito estudado e sabido de leis, como acabei de dizer. Mas eu sei direitinho como é a lei. E por saber como é a lei, é que sei que a minha questão tem garantia de sair favorável.
                        - Pois bem Tenente Carriço; me mostre então como é a lei.
                       - Muito fácil Dr. Filipe. A lei é sempre assim: Ela tem em cima o ar-ti-go que prende e, logo abaixo  o pa-ra-GRÁ- fo que solta. Tem jeito, ou não tem?!!! Inté.
                      


                    
                              

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

CACÁ CALAZANS OU A BEM-AVENTURANÇA DA BRAHMA E O PURGATÓRIO PILOSO




                                                           IZIDORO CALAZANS DE MELLO, o CACÁ como era conhecido por todo mundo, foi e é extraordinária figura intelectual e humana, de merecido reconhecimento e memória.
                                            Cacá Calazans, apesar do sobrenome, não tinha grau de paretesco com o Rubens de Calazans, pai do Daltro, ambos  casamenteiros oficiais de Maria Chica.
                                           Tinha inteligência e memória privilegiadas. Erudito na arte da poesia, sabia de cor uma infinidade de gêneros poéticos, de várias origens, estilos, correntes, tendências e referências biográficas de seus autores preferidos.
                                           E uma qualidade que todos desejam mas a poucos a providência concede: rapidez de raciocínio e presença de espírito, criando da banalidade de um instante um fato novo, inesperado, novidadeiro, a transformar por completo o acontecimento
                                          Cacá sempre apreciou seus tragos, e conhecia em essência o que se chama por aí de bebidas finas. Tinha conhecimento de causa, e foi sempre apreciador de um bom whisky, particular que o Willian Geraissate para Cacá nunca descuidou. Isso faz parte de uma outra história que será oportunamente contada. 
                                            Mas apreciava, é claro, uma cerveja bem gelada, dela fazendo  sua "pièce de résistence" no andar dos dias.
                                       Fumante inveterado, usava piteiras, um filtro que, em teoria, impedia de o excesso de nicotina ir para os pulmões. Ele sabia que não; entretanto as usava até para que sua determinação em usá-las lograsse convencer a si e circundantes que a coisa funcionava.
                                      Míope, usava alentadas lentes, com armadura que se dizia tartaruga, estatura mais para o baixo que para o alto, portador de um tanquinho apropriado para o depósito das benfazejas brejas. 
                         O vestuário, ao estilo "social" (calças de linho, ou casemira, ou outro tecido "nobre"; camisas de cambraia de linho, ou outro tecido especial) chamava a atenção pelo estilo, sem parecer, nem pernóstico, nem "blasé". Sua figura expendia simplicidade e grandeza de caráter, o que o tornava querido por todos de sua convivência.
                                    O Cacá, durante muitos anos, foi vendedor (viajante) da General Eletric - a GE - que lhe forneceu um Jeep,  estampado com a sua marca registrada, para que fizesse ele suas andanças. 
                                   Apesar de nortista, Cacá era calorento. Então, o cabelo, melhor dizendo, o corte do cabelo, era bem rente ao couro cabeludo, um estilo chamado  corte "americano", ou "escovinha", muito próximo, ou idêntico, aos dos militares da ativa na época. 
                                  E por muitos anos o trinômio estampa, veículo e corte de cabelo identificavam, de longe, a presença de Cacá à volta.
                                 Em canicular tarde de verão, Cacá estaciona o Jeep na Rua Siqueira Campos - hoje Irmãos Chrisóstomo, bem em frente ao Bar Tabu, que até hoje lá permanece.
                                 Esbaforido, pede logo  uma Brahma, casco escuro,  estupidamente gelada, eis que tinha acabado de ser liberto de infamante cadeira, onde ficara sob o jugo de insensível fígaro que o aprisionara sob um avental de algodão cru, no interior do qual transudou até o  último poro do corpo, aguardando que cabelo  cortado e barba feita a navalha, se mostrassem frutos perfeitos colhidos da maestria de seu barbeiro. Enfim, de onde saira com o corte "escovinha" ou "americano", e as bochechas lisinhas  como bumbum de nenê.
                                Instalou-se preguiçosamente numa da mesas esperando o santo refrigério. Vindo de imediato. Com a cerveja, a acompanhá-la qual uma sombra, um conhecido de Cacá com uma garrafa na mão e copo noutra, esparramou-se -  o termo próximo do real - à mesa, a configurar a dura e cruel realidade: acabara de ganhar um emérito chato a pretexto de companhia.
                               Cacá sempre teve paciência de padre em toda e qualquer situação, e não seria um pentelho qualquer que haveria de furtar-lhe do prazer de uma Brahma na tempeatura reclamada. Passou a degustá-la entre a voluptuosidade que o contato do líquido propiciava às suas papilas gustativas, e o instante solene, silencioso, onde o abscondito do ser ascendia às culminâncias das primícias advindas do reino de Baco. Extase e glória. Cumplicidade e abandono totais à imperiosidade subjugadora da vontade ao prazer inominável, produzido pela alquimia das proporções mágicas de malte e lúpulo, que encorpavam o contato da língua com o pálato, a entretecer a sublimidade do instante. 
                                 Instante gozozo do qual foi rude e abruptamente ceifado por um quase berro do "amigo" de mesa.
                              - Cacááá...você cortou o cabelo. Tô vendo que você cortou o cabelo. Cê tá cheirando a lavanda de barbeiro...                             - Acabei de sair do barbeiro e,
                              - Isso não precisa falar que eu tô vendo e cheirando. Por falar em ver, ô Cacááá, por que você quase rapou o côco tudo? Tá parecendo carneiro tosquiado. Por que você raio os parta cortou assim, como campo de aviação de mosquito?
                           - Porque este é o corte que, porra, você, por falar em cabelo, já está quase careca de conhecer. É o escovinha, ou americano, ou qualquer dos dois que você escolher.
                          - Mas, Cacááá, mais, olha, o barbeiro num barberou não? Parece que tirou muito...acho que pode por tirou muito nisso.
                          - Ele fez do jeito que sempre faz e eu peço. Com o calor que faz,a mente fica mais arejada. É isso.
                         - É, mais ficou pouco. É que não tem um espelho aqui na mão, senão eu ia te mostrar que ele rapou quase tudo a sua cabeça. Olha, olha, ô Cacááá, mesmo prá escovinha,ói, o seu barbeiro, ah sim, o seu barbeiro perdeu a mão, você ficou quase pelado...e...então né...
                         Cacá, acertando  o óculos nariz acima,  bem à altura dos olhos, como sempre fazia antes de proferir suas máximas, fixou firmemente os olhos do chato e cravou:
                      -  Meu amigo, vou lhe dizer uma coisa que espero leve em consideração e serventia, não como falta de cortesia ou ofensa:

                    Se cabelo anda faltando, é na minha cabeça, não na sua,o que dispensa seu palavrório e preocupação. Ele crescerá de novo e de novo cortarei do jeito que eu me entenda cortar. Por fim ponha reparo no seguinte, fossem os cabelos tão importantes quanto a sua impertinência  , jamais nasceriam nas beirolas do cú!
                       Dois olhos arregalados, uma saída à francesa promovida pelo amigo, e Cacá voltou ao caminho do nirvana Brahmico, ao que parece o encontrando finalmente. Inté.