domingo, 11 de dezembro de 2011

SALIM DA BAMBINA E SONHO, OU NÃO HÁ MAL QUE NÃO TENHA SEU REMÉDIO




                             Fauze Eid era conhecidíssimo na Maria Chica. O mesmo com Juvenal Rodrigues de Brito. Um e outro, porém, sob seus nomes, poucos conheceram ou conhecem. Basta que se diga, no lugar, Salim da Bambina e Sonho do Bar do Sonho, para ambos se tornem conhecidíssimos. 
                   Em determinada manhã encontrei-me ao acaso com o Sonho no interior da então Caixa Econômica Estadual que hoje é o Banco do Brasil S/A.
                    Saíamos juntos quando, na calçada,  vindo de encontro para entrar, avistamos o Salim. O Salim da Bambina chamava todo o mundo de Salim. Assim jamais correu o risco de chamar alguém pelo nome trocado. 
                   Paramos os três na beira da calçada e Salim foi logo perguntando ao Sonho:
                   - Como vai Salim ?
                  - Bem! E você Salim? respondeu Sonho com outra pergunta. 
                  - Bem também Salim.
                  - Por falar em bem você está  sentindo melhor com o tratamento? perguntou Sonho. 
                  - Um pouco melhor Salim Sonho. Devagar vai indo.
                 Intriguei-me ligeiramente com a conversa. Embora não tivesse nenhuma intimidade com o Salim, conhecia bastante o Dr. Bráulio Sammarco que era seu cunhado e a D. Rosinha, irmã de Salim e esposa do Dr. Bráulio. Nenhum dos dois nunca comentaram nada sobre o estado de saúde de Salim. Nem mesmo o Ivan Sammarco que era sobrinho e bem chegado ao tio. 
                    A entonação cerimoniosa que um e outro emprestavam às suas falas certificavam a existência de algo reservadíssimo.
                 - O seu médico falou alguma coisa sobre o tempo de tratamento? Afinal de contas o seu problema já vem de bem lá trás.
                - Sabe Sonho, eu estar fazendo tudo que o médico manda, cuidando direitinha de mim; mas doutor disse que, quem sabe, com  tempo Salim melhora.
                 - Então Salim acha que  recuperação tem chance?
                - Assim, assim, bem devagar, sem pressa e com a muito cuidado para não piorar.
                Envolto pelo clima da conversa, pela seriedade do que confabulavam, não tive nem coragem, nem atrevimento, de entrar  no assunto. Me corroia, entretanto, uma indagação atroz: que "malade" enfrentava o Salim?
                 - Salim, prá ser sincero com você, da última vez que nós se encontramos, sua cara parecia um pouco melhor, mas deve ser o sol que tá batendo nela, que tá deixando assim. Em todo o caso, eu estimo as melhoras. E não deixe do tratamento, dos remédios e de visitar o médico quando sentir alguma recaída querendo te derrubar.
                 - Claro que sim Salim Sonho, Salim vai cuidar muito, muito mesmo. Se não sara, melhora, melhora sim, bastante. Obrigado pela consolo. Salim  agora eu vai entrar na Banco.Té logo.
                  - Té logo Salim. Desejo que o seu tratamento continue bem e que você tenha sucesso lá na frente. 
                  - Té logo Sonho.
                  - Té logo Salim.
                  Com Salim já na agência, surpreso pela descoberta  de ser o Salim da Bambina  portador de uma doença, pelo jeito crônica, persistente, de controle sujeito a medicação perene, no clima do papo recém acabado perguntei:
                 - Sonho, essa doença do Salim... o estado dele é realmente preocupante? Olha, eu nunca ouvi dizer que o Salim tivesse uma gripe. Sempre está bem quando  vejo ele na Bambina. Agora fico sabendo dessa história toda. Cá entre nós: a família sabe, a mulher, o filho, os parentes?
                - Salim é muito reservado sobre  saúde. A única pessoa que ele fala dela é pra mim e assim mesmo pela nossa velha amizade de lá da Braúna.
               - Mas tem algum jeito que possa ser dado? A curto ou longo prazo, sei lá,  alguma coisa prá contornar a situação?
               - Bem... jeito, jeito, acho difícil, mas pra tudo tem remédio e pro Salim, quem sabe se seguir certo o tratamento e não desistir, pode ser que, ao menos, melhore.
               - Sonho, sem ser bisblioteiro, mas pela preocupação que agora estou com o Salim, você poderia, se puder, dizer que mal tanto persegue  o Salim?
               - Você guarda o segredo?
              - Claro, homem, diga logo qual a doença.
              Sonho, após uma olhadela em volta, colocou seu braço sobre meu ombro, aproximou-se de meu ouvido, e confiou, sussurrando,  a doença persistente e contínua de Salim:
              - Feiura brava!!!!
           
                

Um comentário:

  1. AMIGO JOEL
    LER SOBRE SALIM OU SOBRE O SONHO, QUE ERAM GRANDES AMIGOS, SO ME TRAZ BOAS RECORDACOES E GRANDE SATISFACAO.
    GRANDE ABRACO DO AMIGO
    IVAN SAMMARCO

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